Mostra individual do artista plástico Augusto Herkenhoff reúne cerca de 40 obras no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica e fica em cartaz até 22 de agosto.
Uma exposição gratuita no Centro do Rio celebra a paixão nacional pelo futebol através da arte, reunindo retratos pintados de craques como Pelé e Garrincha.
O artista plástico Augusto Herkenhoff apresenta ao público a mostra “Futebol Arte”, que reúne cerca de 40 obras no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica e segue em cartaz até 22 de agosto. É a primeira vez que o artista dedica uma exposição individual exclusivamente ao esporte.
O trabalho é fruto de um processo de criação que acompanha Herkenhoff desde 2008. Ao longo de quase duas décadas, o artista pintou retratos de grandes ícones que marcaram a história dos principais clubes do país e da Seleção Brasileira. Embora o projeto tenha nascido de um retrato de Garrincha, a mostra celebra a pluralidade das torcidas nacionais, trazendo cerca de 30 atletas, entre eles Pelé, Nilton Santos, Didi e Heleno de Freitas — com uma única exceção estrangeira, o holandês Seedorf.
Um diálogo entre futebol e o legado de Oiticica
A escolha do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica para sediar a mostra não foi por acaso. Segundo Herkenhoff, ocupar o espaço com a temática futebolística reflete a própria essência estética de Oiticica: “A ideia é olhar para o futebol — essa manifestação tão simples — dentro de um espaço muito erudito que carrega o nome de Hélio Oiticica. Esse é o exato extremo que o próprio Oiticica utilizava em sua vida e obra, misturando a cultura popular ao pensamento erudito”, explica o artista.
O diretor do espaço, César Oiticica, também enxerga na mostra um manifesto cultural para o momento atual do esporte no país. “É uma chamada para a volta ao futebol arte. Está na hora de reverenciar nossos deuses, Garrincha, Pelé, Rivelino, entre tantos outros, e convocar esse espírito para ver se a arte volta a imperar no futebol brasileiro”, defende César.
As telas de Herkenhoff são construídas em várias camadas de tinta, resultando em obras coloridas que celebram o que ele chama de “pele da pintura” — um manifesto de resistência técnica diante da perfeição fria dos programas de computador contemporâneos. Embora algumas obras já tenham aparecido isoladamente em mostras coletivas, o formato de uma exposição individual dedicada ao futebol é inédito na carreira do artista.
Quem visitar o centro cultural encontra ainda um roteiro mais amplo: além da exposição de Herkenhoff, o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica mantém em paralelo outras mostras, instalações e remontagens de obras da coleção permanente do próprio Oiticica.
Créditos: Diário do Rio
