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Rota do queijo e do vinho é nova atração turística da serra fluminense

Depois da cerveja, queijo e vinho ganharam suas rotas turísticas na região serrana do estado do Rio de Janeiro. A do vinho saiu na frente enquanto a do queijo começa a ser estruturada.

Nos dois casos, o objetivo é o mesmo: chamar a atenção para uma produção que ainda não é associada ao estado do Rio de Janeiro e incentivar o fomento de um turismo rural.

Rota do queijo

A Rota Queijeira Serra do Rio “nasceu” em março passado. É formada por sete produtores artesanais das cidades de Teresópolis e Nova Friburgo. Apesar do nome, o projeto ainda não funciona como uma rota de verdade, mas, digamos, como uma sugestão de turismo rural.

— A Rota acabou de ser criada. A ideia é que se torne um projeto turístico para a serra, com visitação às queijarias, todas bem diferentes umas das outras. O grupo está na fase de se estruturar como uma associação para desenvolver esse projeto. Por enquanto, as visitações devem ser agendadas diretamente com as propriedades – informou Tiago Dardeau, um “caçador de queijos” que há dois anos se mudou do Rio para Teresópolis e colabora com os produtores na elaboração do projeto.

Ele admitiu que a inspiração para a criação da rota do queijo foi a Rota Cervejeira RJ que há 12 anos usa a produção de cerveja de cidades serranas para fomentar o turismo da região.

Essa inspiração não aconteceu por acaso. Dardeau é beer sommelier e foi um dos pioneiros do movimento da cerveja artesanal na cidade do Rio de Janeiro. Desde a época da sua “militância” cervejeira (chegou a trabalhar na extinta Jeffrey como desenvolvedor de receitas experimentais), ele já pesquisava os queijos artesanais brasileiros.

A rota da serra fluminense é a segunda do estado que tem o queijo como “guia”. Em 2023, foi lançada a Rota do Queijo em Valença, um roteiro de turismo rural pelo Vale do Café que oferece degustações e visitas a queijarias artesanais, incluindo produções de búfala e cabra.

Fazem parte da Rota Queijeira Serra do Rio:

Fazenda Geneve (Teresópolis): Fundada em 1993, é pioneira na produção de queijos de cabra artesanais, com foco em produtos mais frescos. Seu restaurante já atrai muitos visitantes para o local. Contato: 21.991760167

Fazenda Capriana (Sapucaia): Também é especializada na produção de derivados do leite de cabra como queijo e doce de leite. Grande parte da propriedade e composta por Mata Atlântica preservada. Contato: 21.991272201 (WhatsApp)

Queijaria Cervejeira da Serra (Teresópolis, foto no alto): Funciona em uma fazenda que pertence ao Grupo Petrópolis (cervejaria). Inicialmente, a produção era voltada para atender os eventos do grupo cervejeiro, mas nos últimos tempos estava desativada. Com a pequena produção recentemente restaurada, seu foco são produtos frescos, a partir de receitas autorais. A fazenda onde está a queijaria mantém uma produção de lúpulo. Uma visita ao local pode juntar queijo, lúpulo e cerveja. Tudo é uma questão de combinar.

Queijaria .Q (Nova Friburgo): Funciona na vinícola Terras Frias, no distrito de Campo do Coelho. Foi criada para “apoiar” os eventos da vinícola, mas começa a ganhar vida própria. O proprietário, André Guedes, é um mestre queijeiro em formação e suas produções são mais autorais. Tem queijo maturado com vinho; outro que leva café na receita ou Camembert trufado. Visitar a queijaria junto com a vinícola faz parte do show.

Queijaria Le Canton (Teresópolis): A queijaria funciona no tradicional Hotel Le Canton. A produção é feita no local há mais de dez anos, mas tinha como foco somente abastecer o hotel. Aos poucos, produtos começaram a ser comercializados para os hóspedes. Agora, já aceita visitação do público em geral às instalações, com direito a degustações. As receitas são autorais de inspiração suiça e francesa. Contato: 21.988795346 (WhatsApp).

Vale das Palmeiras (Teresópolis): Fazenda de produção orgânica do ator Marcos Palmeira. O queijo é um dos produtos “fornecidos” pelo local além de hortaliças, frutas, café e laticínios. A propriedade tem 200 hectares destinados ao cultivo e duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) voltadas à preservação da biodiversidade. A queijaria tem um foco mais tradicional com produção de Minas padrão, frescal e meia cura. Quem for visitar na esperança de encontrar com o ator, um aviso: nem sempre ele está por lá ou é visto pelos visitantes. Contato: 21.971931176 (WhatsApp)

Queijaria Serra Morena (Sapucaia): É a menor do grupo e integra uma granja leiteira. Faz produtos mais tradicionais como o Minas frescal e meia cura. É a única que ainda não recebe visitação, mas está se estruturando para a atividade.

— O queijo nacional está bombando e o brasileiro está descobrindo o queijo do país. E a serra fluminense nada fica a dever. Os queijos de lá são excelentes – afirmou Dardeau, autor do livro “Queijarias artesanais do Brasil”, onde mapeou 214 estabelecimentos com informações como volume de produção, tipo de receita e tipo do leite, além de apresentar um perfil dos produtores.

Mas e o queijo de Minas Gerais, é mesmo o melhor do país?

— Minas é o coração queijeiro do Brasil. Tem diversidade, história e é valorizado como nenhum outro – comentou ele que, no momento, escreve seu segundo livro: “100 queijos artesanais brasileiros”.

Rota do vinho

A rota do vinho teve como ponto de partida Areal que, em 2021, foi reconhecida como Cidade da Uva por conta de uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – quatro anos depois, a lei foi alterada e elevou o status de Areal para “Capital da uva” do estado.

Em 2021, a região de Areal já contava com mais de 40 mil pés de uva para produção de vinho plantados em uma área de oito hectares. Atualmente, no estado, existem 42 produtores espalhados por oito municípios.

O primeiro roteiro turístico do segmento, a Rota Areal, reúne 16 vinícolas de um total de 32 que integram a Associação dos Produtores de Uvas vitis vinifera da Serra Fluminense. A rota foi criada pela AVIVA em conjunto com o Sebrae e a Prefeitura de Areal. Todas as integrantes estão em plena produção e abrem rotineiramente suas portas para visitação.

Com foco na região Centro-Sul Fluminense, a rota integra vinícolas dos municípios de Areal, Três Rios, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto. Cada uma tem seu próprio esquema de visitação, geralmente feita sob agendamento prévio, com possibilidade de visitas técnicas e degustações. Porém, várias já fazem parte de pacotes turísticos promovidos por agências.

Por exemplo, nos próximos dias 16 e 17 de maio, um tour saindo do Rio de Janeiro, vai percorrer três vinícolas onde serão feitas degustações. Neste roteiro idealizado pela Mural À La Carte estão Casa Rozental, Arouca e Inconfidência que, com seu pioneirismo, indicou que o estado do Rio de Janeiro tinha condições de produzir (bom) vinho – e foi devidamente “seguida”.

Por falar em Casa Rozental, no próximo sábado, 9 de maio, quem estará por lá é Tiago Dardeau para promover uma harmonização de queijos da serra do Rio com os vinhos “da casa”.

Créditos: Comunic

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