Fachada do edifício do antigo Hotel Praia Ipanema, na Avenida Vieira Souto, de frente para a Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro
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Antigo Praia Ipanema muda de dono por R$ 223 milhões e será hotel internacional de ultraluxo

A Glória Participações assumiu o controle da sociedade proprietária do imóvel da Avenida Vieira Souto 706 e prepara uma operação hoteleira internacional de ultraluxo no endereço, fechado desde 2023.

Um dos endereços mais emblemáticos da hotelaria carioca vai seguir como hotel — mas em outra escala. A Glória Participações, que acaba de assumir o controle da sociedade proprietária do antigo Praia Ipanema, prepara para o número 706 da Avenida Vieira Souto uma operação hoteleira internacional de ultraluxo.

O imóvel funcionou por 42 anos como hotel de luxo classificado como quatro-estrelas, diante da Praia de Ipanema, até fechar as portas em 2023. O que a nova controladora pretende instalar no endereço pertence a outra categoria: a companhia fala expressamente em uma operação internacional de “ultraluxo”. A bandeira que assumirá a operação ainda não foi divulgada.

Em comunicado, a empresa afirma que pretende preservar a vocação hoteleira do endereço, preparando-o para “um novo ciclo, alinhado aos mais elevados padrões internacionais de hospitalidade”. A iniciativa integra um plano mais amplo de investimentos da Glória no Rio de Janeiro, com foco em ativos considerados estratégicos e projetos de alto padrão.

Adjudicação de R$ 223,1 milhões

A definição sobre o futuro do prédio veio logo após a Gafisa comunicar ao mercado que a 15ª Vara Cível da Capital expediu carta de adjudicação de 100% das ações da Hotéis Chami S.A., sociedade proprietária do Praia Ipanema, em favor da Gloria VIII SPE Participações Imobiliárias. A adjudicação foi fixada em R$ 223,1 milhões, com base em laudo pericial homologado judicialmente.

A Gafisa afirmou que o valor supera substancialmente as propostas não vinculantes recebidas pelo ativo e que a operação permitirá a baixa de litígios e passivos relacionados ao projeto. Do ponto de vista jurídico, não foi o prédio isoladamente que foi adjudicado, mas a totalidade das ações da empresa proprietária — o efeito prático é a troca de controle de um dos ativos imobiliários mais cobiçados da orla carioca.

De projeto residencial a retomada hoteleira

O destino do imóvel mudou várias vezes nos últimos cinco anos. Em dezembro de 2021, o hotel havia sido negociado com a previsão de virar um residencial de luxo. A proposta, conduzida inicialmente pela Bait Incorporadora, previa retrofit e apartamentos de 60 a 306 metros quadrados, com projeções de mercado que chegavam a R$ 100 mil por metro quadrado. O edifício tem 17 pavimentos e cerca de 5,5 mil metros quadrados de área.

A Bait foi posteriormente adquirida pela Gafisa, que concluiu a aquisição do Praia Ipanema em 2023. O projeto residencial, porém, nunca chegou ao mercado: o hotel fechou e o edifício permaneceu sem atividade em um dos trechos mais valorizados da Vieira Souto.

Lei de 2025 barrou a conversão de hotéis da orla em residências

A perspectiva urbanística também mudou nesse período. Em 2025, o Rio alterou sua legislação para impedir a conversão em residências de hotéis instalados em lotes com testada para a orla marítima. A vedação foi inserida na Lei Complementar nº 281/2025, cujo artigo 4º estabelece que hotéis de frente para a orla ficam fora da possibilidade de transformação para uso residencial.

A proibição nasceu de emenda apresentada pelo presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (PSD), sob o argumento de preservar a capacidade hoteleira e turística da cidade diante do crescimento dos grandes eventos. A retomada do Praia Ipanema como hotel — agora em um patamar superior de categoria — é um dos primeiros efeitos práticos dessa mudança sobre um ativo de frente para o mar em Ipanema.

Fonte: Diário do Rio

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